DAMBA MU KIESE, em MEMÓRIA DE Dom AFONSO TEKA

Publié le par LUVUVAMO YALA DAMBA

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Dia 12 de Agosto de 2011, o templo da igreja católica sita na aldeia Kazumbi ganhou uma nova pintura depois de longos anos de abandono e negligência. Era sinal dos preparativos para a efectivação de uma serie de actividades programadas por familiares, amigos do Dom Afonso Teca e fieis a igreja Católica.

 

Efectivamente, aconteceu no dia 13 de Agosto,a multidão de Mindambas provenientes de Luanda, da Sede do município e das aldeias circunvizinhas se aglomeraram junto a esse templo, numa missa em memória do Dom Afonso Teca, bispo angolano, Muana Ndamba, falecido, vitima de um trágico acidente de viação ocorrido anos atrás, na província do Zaire.

 

Durante a pregação do evangelho, muitas vezes, o Padre enaltecia as qualidades   talentosas do Afonso Teca ao longo das suas idades ( Estudante e Padre ). Dissertou nas situações complicadas de que Afonso Teca era vitima, quando ainda estudante, em que era obrigado a percorrer uma trajectória de quase 18 km, a pé, de corta – mato, e como não bastasse, tinha de ser apedrejado pelos Jovens de sua idade, da aldeia kinsakala onde terminava a corta-mato. Contrariamente aos Jovens de hoje, face a semelhante situação, Afonso Teca mantinha sempre o espírito  de não a violência e nem sequer ousou convidar seus familiares e amigos para irem a desforra. Concluiu que, o comportamento Cristão do Afonso Teca permitiu a que muitos dos habitantes da região Kongo se tornaram cristãos, a comungar nas igrejas. Foi muito positivo para o Evangelho de Cristo.

 

Exortou aos participantes a ter no  Teca, o exemplo para o cultivo da paz, da união entre os povos e na promoção do Evangelho, sendo a melhor forma de honrar a ele, é seguir as suas pisadas.

 

Fez-se a apresentação do jovem Padre, também chamado Frei Afonso Teca, de Damba, que com o ambiente de alegria já reinante, ensinou uma canção a Igreja, a que foi imediatamente dominada e entoada por todos, com ajuda dos grupos de coristas vindos de Luanda e da Sede do município de Damba.

 

Finda a missa, aos participantes foi dado a conhecer o programa das actividades.            

 

A aldeia natal do Dom Afonso Teca teve uma bela imagem!

 

Pessoas a circularem em todo lado: uns tirando fotografias, outros provando o sabor de matombe, outros se abraçando depois de longo período de separação.

                                                                                              

Ali, no fundo, ouvia-se barulhos de gritos de júbilo, como se houvesse golo num jogo de futebol; mas também, na verdade, se tratou de membros afectos a organização do eventos a doar equipamentos desportivo aos aldeões; noutro lado, havia viaturas a distribuir camisolas com a imagem do Bispo Muana Damba e água mineral antes do inicio da marcha. Que bonito !

 

Finda a distribuição, a marcha iniciou exactamente onde se achava erguida a residência onde foi nascido o Dom Afonso, hoje, apenas reconhece-se escombros. As pessoas seguiram-se pela estrada de terra batida, ainda sem asfalto, até a aldeia Kimazebo onde se inicia o corta – mato.   

 

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A caminhada animada com conversas diversa, umas cómicas exibidas por jovens escuteiros da igreja católica de Damba, ajudavam a esquecer  cansaços produzidos pelas subidas e descidas de montanhas. Na caravana dos peregrinos amigos de Dom Afonso Teca, integrou-se também três freis Italiano e um batalhão de fotógrafos no meio dos jovens esi Damba de ambos os sexos e alguns velhos entre esses fiz parte. Ah ! Lembrei –me dos sofrimentos dos tempos de rusgas, quando usávamos esse caminho para escapar ser apanhado para o cumprimento do serviço militar.

 

As paisagens ganharam uma nova imagem ! Para quem se lembra dos caminhos de corta-mato, estando nas montanhas, de longe via-se uma espécie de cobras brancas vinda umas após outra na zona verde, meio seca e noutro lugares, de zonas de queimadas. Todas aquelas visões do espaço natural, foi tão divertido que só começou-se a sentirmos as dores pelo cançaso quando reencontramos a estrada de terra batida, a via que leva a Vila de Damba, a conhecida Via de Maquela do Zombo.

 

Quase na curva, onde há cemitérios, depois da pista de aviação, uma viatura recebia os que participaram na marcha com a entrega de uma senha a cada, afim de evitar Patos, na hora de comes e bebes, já no recinto da missão católica. Essa foi mais uma outra surpresa que a organização trouxe para evento. Ninguém pensou!

 

Na missão católica já era visível jovens deitados na relva verde acusando cansaço, mas com gasosa e cervejas de acordo preferência de cada pessoa, acompanhada de sandez, com direito a liberdade total de pedir mais; isto quando quiser. Na varanda da missão, estava um jovem a comentar, esclarecendo de que havia comida que chega e que sobra ! Alguns recolhiam voluntariamente as latas e lixos, como se todo mundo foi submetido a um seminário de civismo antes da participação. As viaturas de luxo coloriram aquela ruela da missão, devidamente alinhada por mangueiras plantadas por estudantes no passado.

 

Alguns peregrinos aproveitaram dar voltas na vila e aldeias, para visitas de familiares e casas e terrenos deixados pelos pais, recolhendo informações tristes ou animadoras consoante casos de cada um.

 

As Madres da missão também não se deixaram. Convidaram-nos num almoço marcado por um Buku dia luku semelhante a montanha que acabávamos de atravessar, com o molho de francos, feijão, mwengeleka, vinho maluvo, epah, não me lembro de tudo que havia.

 

A noite não tardou de chegar, grande musicas ali, na escola da missão, onde estavam hospedados os provenientes de Luanda com os escuteiros, altura em que o padres cederam-se um espaço para trabalho e um gostoso jantar até por volta das vinte e duas horas.

 

Não havendo mais viaturas a circular, caminhei a pé até a aldeia Huembo, aguentando o frio intenso, com cabelo a arrepiar repetidas vezes quando passava algumas aldeias em abandonos mas com maus espíritos ainda presentes.

 

No dia seguinte, já não me foi possível deslocar para a missão católica onde decorreu o jogo de futebol entre Mindamba de Luanda e Telema Damba ( anfitriã ).

 

No próximo ano, quem não participar, ou não é Mundamba, ou perderá a oportunidade de um terço de sua vida. Vida de todos os sabores: O somatório de alegria, dores, cansaços, risos, reencontro, musica, belezas, paisagens etc…nem sempre temos essa mistura.

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